
"Tenho 20 anos de idade que ora corto ao meio ora duplico consoante a vida se me apareça mais distraída ou mais exigente. Gosto de pessoas e gosto de gostar de pessoas, sobretudo das que me inspiram e das que têm algo para me ensinar (e todas mas todas acrescentam sempre alguma coisa àquilo que já sou). Tanto quanto possível, sou selectiva nas minhas amizades e afasto-me de quem se lamenta só porque o dia acordou cinzento. Demorei muito tempo a perceber que a realidade, tal como os filmes, é feita de bons e de maus; de gente bem e mal intencionada. Para mim até uma determinada altura da minha curta vida, todos os actos eram justificáveis atendendo ao ponto de vista de quem os praticava. Um belo dia, sem saber como nem porquê, lá me convenci que não era, de facto, assim. Provavelmente, foi este o ponto de viragem que fez tombar por terra a minha capacidade de sonhar e me impeliu a fazer-me ao caminho por minha conta e risco. O mundo não cede apenas porque estamos frustrados. Ás vezes torno-me chata porque tento ser demasiado responsável e perfeccionista quando na verdade não o sou. Dá-me um gozo descomunal argumentar com parvalhões e espertalhões!! Dizem que sou exigente comigo própria e com os outros, mas eu cá acho que apenas tenho altas expectativas! Tenho a mania que sou independente, mas na realidade embora consiga, geralmente, resolver sozinha os meus problemas, a verdade é que me escondo um pouco nesta minha carapaça de mulher auto-suficiente. Provavelmente, para não deixar que os outros se aproximem o suficiente de mim para me magoarem. Pois. Todos temos o nosso “calcanhar de Aquiles”... Já cometi alguns erros no meu percurso. Não me crucifico por isso, sou humana. Normalmente, não sou muito chorona nem gosto de alimentar estados depressivos, mas há alturas em que me sinto um pouco incompleta. Mas... Sabem de uma coisa? Existem mil e um motivos para que eu, a cada dia que passa possa orgulhar-me de ser quem sou e de ter a vida que escolhi, mas nem sempre essa certeza impede este nó na garganta, nem mesmo quando regresso à minha infância a flutuar numa irresponsável inconsciência... Porque o mundo não cede às nossas frustrações mas está-se perfeitamente a cagar para quem escolhe apenas “ser forte”."
Sinto-me...Bah...nem sei!!!
4 comentários:
Qundo escrevemos sobre nós próprios, quase sempre corremos dois riscos: ou enveredamos por uma via artificial e romanceada que pouco tem a ver com a "fotografia" ou então escolhemos um estilo hermético e blindado que ao contrário da primeira opção, deixa apenas vislumbrar uma ténue e desfocada silhueta...
Preferiste uma terceira via e ainda bem!
Em vez de um texto rebuscado, deixaste fluir os sentimentos através das palavras e isso permitiu-nos ver-te para além da parte "material" de ti própria.
Conseguimos ver claramente uma jovem de mente forte, capaz de trilhar o caminho que ela própria constroi, mas reconhecendo ao mesmo tempo as dúvidas os obstáculos as desilusões, os momentos de desânimo...
Mas esta, é tambem a atitude dos grandes vencedores - as dúvidas, as desilusões, serão a tua "pista de obstáculos!" até ao teu lugar cimeiro do podium para receberes a tua "medalha de ouro"
Continua pois a escrever - sobre ti se quiseres, mas também sobre a vida e sobre os outros - e parabens por esta tua entrada promissora na blogosfera!
Beijos do "Tio Neves"
amei o texto!
Obrigada Catarina!
É bom saber que os nossos amigos apreciam o nosso trabalho, principalmente os que são mais importantes. obrigada amiga****
Tininho obrigada pelo comentário, enalteceu o meu ego sem dúvida alguma! É o que dá saber escrever coisas bonitas!
Beijos da "sobrinha Cláudia"
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